quarta-feira, 6 de abril de 2011

Investindo na "mente" da sua criança

É inegável que as crianças são diferentes e os caminhos e processos mentais de cada uma delas é singular. Criar filhos é aprender a arte de interpretar o não dito, de redescobrir o mundo e tentar ver "como se da primeira vez" para se dar o direito de ver como nunca antes você viu. Entender o filho significa dar espaço para o diálogo e para ouví-lo mesmo quando desafiam a lógica...

Contribuir para o crescimento cognitivo e intelectual do seu filho vai muito além de escolher uma boa escola. A contribuição do ambiente familiar é inegável para a educação de uma criança.

Um artigo ressalta alguns pontos importantes para pais que querem criar um ambiente familiar propício para seus filhos. Traduzo as sugestões e deixo o link para o artigo original (que está em inglês).

* Pais que aprendem sobre funções de neurodesenvolvimento em geral e são vigilantes e responsivos aos perfis de seus filhos.

* Pais que são os principais detectores precoces de disfunção.

* Pais que agem como mestres benevolentes, ensinando seus filhos a trabalhar.

* Pais que procuram e nutrem facilidades e afinidades individuais em seus filhos.

* Pais que são advogados e defensores de seus filhos sem que "lutem as batalhas deles".

* Pais que funcionam como ouvintes interessados e envolvidos.

* Pais que colaboram e comunicam ativamente com as escolas.

* Pais que são exemplo de algum tipo de atividade intelectual (leitura, escrita, ida a museus).

* Pais que elogiam seus filhos regularmente.

* Pais que demonstram amor e respeito pelos seus filhos.

* Pais que se tornam consumidores educados da educação de seus filhos e intervenções que podem ser necessárias.

* Pais que garantem uma atmosfera intelectualmente estimulante para que linguagem, literatura e cognição sejam fortalecidos no lar assim como na escola.

* Pais que ajudam seus filhos a desenvolver táticas organizacionais e estratégicas eficientes para realização de trabalho.

* Pais que têm o cuidado de tratar irmãos como indivíduos, pessoas que podem ser diferentes em suas forças e fraquezas.

* Pais que são consultores sensíveis ao trabalho escolar de seus filhos, mas não fazem o trabalho por eles.

* Pais que estabelecem um estilo de vida que equilibra liberdade com responsabilidade e estrutura com oportunidades para auto-expressão expontânea.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sugestões

Esse site tem várias dicas interessantes para quem mora em BH! :)

O link é para o texto de uma amiga sobre algumas programações para bebês e crianças pequenas em Belo Horizonte:

terça-feira, 1 de março de 2011

Desmame e Obesidade

Mais um estudo mostra a associação entre desmame precoce e introdução precoce de alimentos sólidos e obesidade na infância.

O estudo mostrou que em crianças que receberam fórmula ou foram desmamados do leite materno antes de 4 meses de idade, a introdução precoce de sólidos (antes de 4 meses de idade) estava associada a maior risco de obesidade aos 3 anos de idade.

Esse estudo, como outros, fortalece a idéia de que o melhor alimento para a criança nos primeiros meses de vida é o leite materno exclusivo. E, mesmo quando recebendo fórmula ou leite materno com complemento de fórmula, não se justifica introduzir outros alimentos precocemente.


É importante sempre seguir as orientações de seu pediatra em relação à introdução de alimentos, principalmente no primeiro ano de vida!

Fonte: PEDIATRICS Vol. 127 No. 3 March 2011, pp. e544-e551 (doi:10.1542/peds.2010-0740)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Mundo Digitalizado - Você está preparado?!

Olá a todos!

Recebi um "link" e resolvi reencaminhar (é um filminho bem rápido no You Tube - direcionado prioritariamente a educadores na América do Norte). Não que eu ache que meios "tradicionais" de educação não sejam importantes. E acho que devemos garantir a nossos filhos a oportunidade de brincar livremente, subir em árvore, usar a imaginação, brincar com terra, fazer desenho livre... Enfim! Pessoalmente, passei umas férias com Mateus em que a maior parte do tempo ele ficou sem mesmo a ajuda dos "brinquedos formais" e inventou milhares de brincadeiras (sozinho ou acompanhado de amiguinhos) usando coisas inusitadas como folhas, galhos e os brinquedos mais básicos que ele tinha. Lemos inúmeros livros e "encenamos" histórias. Inventamos histórias a partir de rabiscos feitos em conjunto. Brincamos, por horas, de lego criando coisas que existem no mundo que nos rodeia ou coisas malucas que só existem em nossas imaginações... Criança tem que ter direito de ser criança, não é?!

Mas é inegável que a tecnologia está aí... E é inegável também que nossos filhos, alunos e/ou pacientes são uma geração infinitamente mais "tecnológica" que a nossa (que já é infinitamente mais tecnológica que a dos nossos pais)...

Então fica um desafio de como educar e como orientar os pais de nossos pacientes (ou alunos, no caso dos educadores) a usar a tecnologia de forma sábia... a não negar a existência dela, mas não supervalorizá-la e a conhecê-la o suficiente para, no mínimo, saber avaliar o uso que seus filhos (principalmente adolescentes e pré-adolescentes) fazem dela.

O filme coloca uma grande responsabilidade para a escola, principalmente. Mas creio que é um desafio conjunto - escola e pais - e que deve ser abordada por todos. E creio que quem lida com crianças e adolescentes deve, no mínimo, estar atento (e com olhar crítico, mas aberto) para ouvir e se fazer ouvido através da linguagem falada por essa geração de pequenos...

Afinal... meu filho de 3 anos - em UMA sentada "acidental" no computador do avô - descobriu que se ele apertava o "M" (que ele reconhece como o nome dele) aparecia "M" na tela do computador. Ele nem está - do ponto de vista educacional - na fase "forma" de pré alfabetização. Esse não foi objetivo educacional nem da escola (muito menos meu) na vida dele ainda. Mas apesar dele estar longe de ser capaz de traçar, com um lapis, a inicial do nome dele, ele já sente que "escreveu" o nome dele pela primeira vez. Quantas outras coisas ele nào será capaz de fazer - de forma digital ou virtual - muito antes de poder realizar no mundo "real"? Quanto disso é positivo? Como estimular a escrever com lapis (e achar legal) depois de ter já aprendido a "catar letrinha" num teclado?

A minha casa é CHEIA de livros - para todas as idades. A biblioteca do meu filho tem mais de 150 exemplares e lemos muito, todos os dias. Mas apesar dele não ter ainda lido livros digitais, ele já conhece meu "e-reader" e já o reconhece como livro. Um coleguinha dele da escola tem uma cópia digital de um livro querido (Cat in the Hat - Dr Seuss) e já curte "ler" sozinho o livro no ipad e "ler" (ele tem 3 anos) de forma interativa com a tela... Ainda não quis introduzir esse mundo ao Mateus... prefiro os de papel... mas por quanto tempo serão só os de papel?

Desafios... minha mente ficou aqui divagando... e já tenho percebido inquietação nesse sentido por parte dos meus pacientes com filhos mais velhos... e agora vislumbro isso como mãe... E deixo o link para a curiosidade dos colegas que também trabalham com "pequenos"!


Abraços,
Amarilis

domingo, 26 de dezembro de 2010

Meu primeiro livrinho...


Motivada pelo ingresso na pré escola do meu filho (Mateus) no início de 2010, escrevi um livrinho sobre a adaptação na pré escola... e o processo de descoberta desse novo mundo que é a escolinha e a socialização com os novos amigos.

Quem tiver interesse em conhecer e ler o livrinho e, quem sabe, usá-lo como auxílio na adaptação de seus filhos à escola, temos uma cópia na biblioteca do consultório!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Como estimular a leitura desde a pré escola

Ler é uma das minhas coisas preferidas. AMO ler. Sou viciada em livros - e não tenho nenhuma intenção em abrir mão desse meu vício. Pelo contrário: quero contaminar os outros com essa mania maravilhosa!

Muitos pais querem que seus filhos cresçam com um gosto pela leitura, mas não sabem bem quando ou como começar. O quando é desde sempre... o exemplo dos pais é o primeiro - e muito importante - passo para que uma criança aprenda a gostar de livros.

Em pré escolares é importante que os livros estejam presente na vida das crianças como algo a ser curtido, explorado, manuseado... A leitura não precisa (nem deve) ser um momento estruturado ou obrigatório. Não se pode esperar que uma criança pequena (principalmente menor que 3 anos) se sente quietinho e caladinho para ouvir uma história. Não que isso não aconteça! Na medida em que vão se apaixonando pelos livros e quando lemos os preferidos ou na hora certa, é comum ver crianças pequenininhas hipnotizadas por um livro.

Mas, com os pequenos, assim como em tudo com essa faixa etária, a leitura deve ser algo lúdico. De início, é muito mais uma questão de manusear os livros, apontar para imagens dizendo o nome, depois falando o nome de árvore, pássaro, etc e pedindo para eles apontarem... É uma forma de expandir vocabulário e criar um amor por livros.

Aos poucos as crianças começam a "ler" as imagens e inventar as histórias. Não precisa se preocupar em ler as palavras "certas". Não é necessário seguir um roteiro. Nessa fase, as imagens falam mais que as palavras. Às vezes, eles memorizam uma ou outra parte do livro. Pode até começar lendo... e assim que eles se cansam - ou quando começam a interagir - abra mão do roteiro para criar com eles em cima das figuras.

Gradativamente as crianças começam a querer ouvir a história como ela está escrita. Começam a entender o conceito de escrita - muito antes de ler.

Seguem algumas dicas:

* Tenha livros resistentes em lugares visíveis e de fácil acesso para a criança.
* Sempre que possivel, deixe que seu filho escolha o livro que será lido.
* Garanta uma variedade de livros- histórias, rimas, humorísticos, didáticos...
* Tenha, na rotina, vários momentos para leitura.
* Não use o tempo de leitura como castigo ("Mamãe não vai ler para você se você não...")
* Limite o tempo de acesso à televisão.
* Esteja disposto a ler apenas partes de um livro e páginas fora de ordem.
* Leia sempre que seu filho(a) pedir.
* Deixe seu filho segurar o livro e virar as páginas se ele(a) quiser.
* Sente próximo do seu filho - ou segure-o(a) em seu colo - enquanto lê.

Ensinar a gostar de livros significa estimular o diálogo sobre as histórias, encenar as histórias, curtir os livros, comparar livros... Quem gosta de livros reconhece o prazer que é se sentar em meio a uma pilha de livros e sonhar, viajar e se aventurar junto com os personagens!

E, como diria C.S. Lewis, um bom livro é um bom livro aos 8 ou aos 80 anos! Aproveite essa oportunidade para ler com seu filho e descobrir a delícia que é a literatura infantil!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Comunicando com Seus Filhos

Mais uma recomendação de livro...

O livro 'A Infância Perdida' (So Sexy, So Soon) de Diane E. Levin e Jean Kilbourne é uma espécie de "guia" para os pais que buscam navegar esse mundo de propagandas, consumismo, apelo sexual, violento e materialista que está cada vez mais presente na mídia.

Nele, as autoras dão dicas de como proteger seu filho e como, uma vez exposto (e a exposição à mídia inevitavelmente irá acontecer em maior ou menor grau) criar canais de comunicação com as crianças e adolescentes.

* Deixe claro para seus filhos que eles podem conversar com você sobre qualquer coisa. Não apenas DIGA isso, mas seja coerente com suas palavras e deixe espaço para dialogar e ouvir antes de impor suas opiniões.

* Crie um relacionamento onde conversa com seu filho sobre diversos assuntos e aprenda a dialogar, ouvir e ensinar. Assim, quando for tratar de assuntos mais polêmicos ou "delicados", já têm uma tradição de diálogo.

* É mais importante conversar e compartilhar informações que ter respostas "certas" para toda e qualquer questão.

* Não culpe as crianças nem as façam sentir culpadas ou envergonhadas quando compartilham algo com você.

* Tente ver o mundo através dos olhos do seu filho e compreendê-lo durante a conversa.

* Responda com honestidade o que eles perguntam, mas não precisa ir além do que foi perguntado. Seja sincero e objetivo.

* Saiba que nem sempre você vai saber o que dizer - e pode admitir isso ao seu filho. "Eu não sei... deixe-me pensar e depois conversamos a respeito."

* Antes de responder, tente descobrir o que seu filho já sabe. Qual a "bagagem" de informação ele já tem?

* Estimule brincadeiras que dão espaço à criatividade e à fantasia que, através das brincadeiras, as crianças irão representar seus pensamentos e suas dúvidas.